Tomo no copo que te pertenceu
E em sua memória pereceu
Tomo o café que você disse queimar
E em minha saliva sinto a tua presença
E até a broa, naquela mesa
A geléia de amora fresca
O pão de queijo, a manteiga
Me fazem te redegustar
Aquela estrela que vimos juntos
Que só uma vez pôde cair
Alguma chuva que junto de nós passou, molhou
E no ar já expirado, secou
A estrada por onde ainda caminho
A rua que nossos passos levou
O teu chinelo velho
Que você me fez experimentar
O sorriso que me deste quando me pus a descalçar
Até meus pés me fazem te reencontrar
E outras línguas articuladas
Que me retornam falas
Da tua boca carnuda
Mas em correntezas já desaguadas.
(Raquel Mello).
No mar... entre... mais perto do céu...
- Raquel Mello
- BH, Minas Gerais, Brazil
- A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Depois de se perder um grande amor:.
Depois de um amor perdido
Se tenta buscar a vida
Recompensar a tristeza desvalida
De um tempo que já passou
Depois de um amor perdido
Não recuperado, repartido
Se acha o mundo perdido
Se vê num beco profundo e esquecido
Depois de um amor perdido
Não se quer mais saber de amar
Mas só o amor pode recompensar
A caminhada de um amor que já passou
Depois de se perder um grande amor.
(Raquel Mello.)
Se tenta buscar a vida
Recompensar a tristeza desvalida
De um tempo que já passou
Depois de um amor perdido
Não recuperado, repartido
Se acha o mundo perdido
Se vê num beco profundo e esquecido
Depois de um amor perdido
Não se quer mais saber de amar
Mas só o amor pode recompensar
A caminhada de um amor que já passou
Depois de se perder um grande amor.
(Raquel Mello.)
O homem que corria atrás de pombos:
Às seis da tarde nada se espera além do escurecer, mas naquela tarde algo fora do normal passou pelos meus olhos, meu coração.A admiração me fez rir, sorrir e abrir as asas. Um homem que pelo parque corria atrás de pombos. Corria desordenadamente tentando os agarrar. Com a persistência de um leão atrás de sua caça quando os alcançava apalpava, enchia de amor, carinho; mas se contentava com a curta duração da graça e com a emoção apaziguada, libertava. Sabia que se prolongasse a pureza se perderia. Do sentimento já dispersado, o belo se prolongaria em desencanto.
Ele tocava e sorria. Sorria com aquele sorriso prazero de quem como por um segundo alcança a plenitude. E de fato sua sensação era essa. Sem passado ou futuro, esquecia do ao redor e sentia quase que cegamente aquele momento furtivo, mas a intensidade com que o vivia lhe bastava. Se conformava em fazer de sua vida emoções picadas e desentendido, em seu mundo tudo se ligava. Na verdade essa era a razão de sua vida. Fazia isso com sonhos, trabalhos e mulheres.
Ali sentado no bar com seu café posto no balcão, de frente para a parede sua paisagem aberta era o sol matutino, a rua e o viaduto, porém seus devaneios lhe deslocavam para tão longe que nem sua própria presença ele percebia. O vapor do café lhe trazia memórias boas, melancólicas. Mas não se punha a pensar, deixava a sensação vir e passar no tempo que lhe era natural. E todos os seus dias corriam assim. As vezes intocado, as vezes surpreendido por alegrias instantâneas que de onde viam desconhecia, mas que preenchiam um espaço de satisfação fácil.
Naquele dia estranhamente as lembranças lhe invadiram em suas situações mais cotidianas.O café, que lhe carregou a outro mundo.E partindo para seus compromissos, papéis entregues, suas expectativas estavam além das horas, dos acontecimentos e respostas. De fato que o almoço ele engoliu. Do gosto, certo de que nada sentiu. E andou agitado até ás quatro. Sentou, abriu seu livro e cumpriu a rotina de que lhe agradava, lhe personificava. Às cinco sorriu. Adorava como as crianças brincavam em volta das árvores, e com o livro entreaberto aquelas linhas não mais tinham valor, se fez viajar. Mas aquela cena que lhe despertava esperanças, lhe fez relembrar as expectativas da infância. Seus amigos que sonhavam, projetavam-se espiões, bombeiros, que o gozavam e de nada entendiam quando dizia: o que quero ser quando crescer? Ah, eu quero ser caçador de pombos.
Ele tocava e sorria. Sorria com aquele sorriso prazero de quem como por um segundo alcança a plenitude. E de fato sua sensação era essa. Sem passado ou futuro, esquecia do ao redor e sentia quase que cegamente aquele momento furtivo, mas a intensidade com que o vivia lhe bastava. Se conformava em fazer de sua vida emoções picadas e desentendido, em seu mundo tudo se ligava. Na verdade essa era a razão de sua vida. Fazia isso com sonhos, trabalhos e mulheres.
Ali sentado no bar com seu café posto no balcão, de frente para a parede sua paisagem aberta era o sol matutino, a rua e o viaduto, porém seus devaneios lhe deslocavam para tão longe que nem sua própria presença ele percebia. O vapor do café lhe trazia memórias boas, melancólicas. Mas não se punha a pensar, deixava a sensação vir e passar no tempo que lhe era natural. E todos os seus dias corriam assim. As vezes intocado, as vezes surpreendido por alegrias instantâneas que de onde viam desconhecia, mas que preenchiam um espaço de satisfação fácil.
Naquele dia estranhamente as lembranças lhe invadiram em suas situações mais cotidianas.O café, que lhe carregou a outro mundo.E partindo para seus compromissos, papéis entregues, suas expectativas estavam além das horas, dos acontecimentos e respostas. De fato que o almoço ele engoliu. Do gosto, certo de que nada sentiu. E andou agitado até ás quatro. Sentou, abriu seu livro e cumpriu a rotina de que lhe agradava, lhe personificava. Às cinco sorriu. Adorava como as crianças brincavam em volta das árvores, e com o livro entreaberto aquelas linhas não mais tinham valor, se fez viajar. Mas aquela cena que lhe despertava esperanças, lhe fez relembrar as expectativas da infância. Seus amigos que sonhavam, projetavam-se espiões, bombeiros, que o gozavam e de nada entendiam quando dizia: o que quero ser quando crescer? Ah, eu quero ser caçador de pombos.
sábado, 10 de novembro de 2007
Futuros amigos
Ainda meio tonta vinda de um sono leve e conturbado finalmente acordei.
- Pega um copo de água! – lentamente, com ânsia, mas quase sem forças murmurei.
Ele só se remexeu, puxou as cobertas e me deu as costas quase sem escutar.Indignada, exclamei qualquer xingamento sem razão.
Pouco depois nos levantamos e rindo juntos a um amigo sobre os esquecimentos da noite passada, como de praxe, senti algo estranho.Logo então saímos, íamos almoçar na casa de sua avó.Era um almoço padrão, família, tias e tios sentados em volta à mesa e as conversas comuns, alheias que perduram horas.
- Passa o suco. – de maneira normal, a ele disse.
Foi quando olhei para o lado e surpreendentemente me deparei com um desconhecido.
Já haviam se passado três anos. Cheguei sem convites e logo fui apresentada aos outros pelo amigo que até lá havia me levado, e quase todos que já alterados, fizeram alegria e festa!
O engraçado é como as situações se repetem em nossas vidas e nem sempre sabemos explicar os motivos; Desta vez algo comum aconteceu, o surgimento de uma sensação (ou uma previsão, não sei) inquietante, por muitas vezes impertinente e até cativante.
- Engraçado, parece que lhe conheço de algum lugar! – disse “do fundo” de minha sinceridade.
- É, sempre me dizem parecer alguém, não sei por quê! – rindo ele respondeu.
Sim, já se passaram três anos e de repente me deparei assentada em volta de uma mesa com novos desconhecidos, uma mesma comida, agora provinda de outras mãos, uma tarde cotidiana e aquela mesma cara estranha ao meu lado. O mundo em suas muitas voltas e eu, que nunca poderia ter imaginado tantas histórias juntos, a forte existência de uma cumplicidade desde em porres violentos, manhãs que mais parecem um esboço de vida a conversas filosóficas e conselhos, cuidados pessoais.
Cheguei em casa e procurei esquecer o que havia se passado por entre as muralhas de minha cabeça. Tomei um banho, me troquei e fui de encontro aos compromissos já marcados para aquela noite. E no caminho, como um estalo, em um lugar movimentado mas com meu ser a sós é que percebi, fui descobrir. A resposta clara chegou em meio ao futuro, por uma sensação de um momento no passado e uma estranheza do presente.
Já haviam se passado três anos, e de repente em meio a um turbilhão de devaneios, a uma confusão mestiça de pensamentos, tão esclarecida, comigo mesma exclamei: -Eu sabia que conhecia aquele cara de algum lugar!
(Raquel Mello)
- Pega um copo de água! – lentamente, com ânsia, mas quase sem forças murmurei.
Ele só se remexeu, puxou as cobertas e me deu as costas quase sem escutar.Indignada, exclamei qualquer xingamento sem razão.
Pouco depois nos levantamos e rindo juntos a um amigo sobre os esquecimentos da noite passada, como de praxe, senti algo estranho.Logo então saímos, íamos almoçar na casa de sua avó.Era um almoço padrão, família, tias e tios sentados em volta à mesa e as conversas comuns, alheias que perduram horas.
- Passa o suco. – de maneira normal, a ele disse.
Foi quando olhei para o lado e surpreendentemente me deparei com um desconhecido.
Já haviam se passado três anos. Cheguei sem convites e logo fui apresentada aos outros pelo amigo que até lá havia me levado, e quase todos que já alterados, fizeram alegria e festa!
O engraçado é como as situações se repetem em nossas vidas e nem sempre sabemos explicar os motivos; Desta vez algo comum aconteceu, o surgimento de uma sensação (ou uma previsão, não sei) inquietante, por muitas vezes impertinente e até cativante.
- Engraçado, parece que lhe conheço de algum lugar! – disse “do fundo” de minha sinceridade.
- É, sempre me dizem parecer alguém, não sei por quê! – rindo ele respondeu.
Sim, já se passaram três anos e de repente me deparei assentada em volta de uma mesa com novos desconhecidos, uma mesma comida, agora provinda de outras mãos, uma tarde cotidiana e aquela mesma cara estranha ao meu lado. O mundo em suas muitas voltas e eu, que nunca poderia ter imaginado tantas histórias juntos, a forte existência de uma cumplicidade desde em porres violentos, manhãs que mais parecem um esboço de vida a conversas filosóficas e conselhos, cuidados pessoais.
Cheguei em casa e procurei esquecer o que havia se passado por entre as muralhas de minha cabeça. Tomei um banho, me troquei e fui de encontro aos compromissos já marcados para aquela noite. E no caminho, como um estalo, em um lugar movimentado mas com meu ser a sós é que percebi, fui descobrir. A resposta clara chegou em meio ao futuro, por uma sensação de um momento no passado e uma estranheza do presente.
Já haviam se passado três anos, e de repente em meio a um turbilhão de devaneios, a uma confusão mestiça de pensamentos, tão esclarecida, comigo mesma exclamei: -Eu sabia que conhecia aquele cara de algum lugar!
(Raquel Mello)
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Poesia ao amor:.
O amor é o tormento do acalento
É a paz de ter e o temor de se perder
E é por isso que eu escrevo poesia
Não me basta o dia-a-dia
Para viver eu preciso acreditar
Que somos da mesma melodia
Olhos e boca de uma mesma fantasia
Não, eu não me basto em ter
Para viver eu preciso acreditar em ser
O pedaço que completa
O alimento que sacia
O amor é o tormento
Medo de se achar
Do acalento
E se perder
É a paz de ter e o temor de se esquecer
E é por isso que eu escrevo poesia.
(Raquel Mello).
É a paz de ter e o temor de se perder
E é por isso que eu escrevo poesia
Não me basta o dia-a-dia
Para viver eu preciso acreditar
Que somos da mesma melodia
Olhos e boca de uma mesma fantasia
Não, eu não me basto em ter
Para viver eu preciso acreditar em ser
O pedaço que completa
O alimento que sacia
O amor é o tormento
Medo de se achar
Do acalento
E se perder
É a paz de ter e o temor de se esquecer
E é por isso que eu escrevo poesia.
(Raquel Mello).
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
A bela puta.:
Foi pela perda de um amor
Que só Deus sabe o porquê a vida a tirou
Que a bela pura e crua
Sofreu a dor, desatinou
Caiu no mundo e em suas garras
Sujou o tronco limpo
Do mundo amargo se mascarou
E a cada homem que lhe tinha
Ela explodia tanta dor
E vendia o veneno de sua tristeza
Então chorava e gritava
Jurava ser satisfação
Do prazer da dor causada
E já sorrindo sua amargura
Se acordava
Bobagem, deixa pra lá
Se confessava poetisa.
(Kel Mello).
Que só Deus sabe o porquê a vida a tirou
Que a bela pura e crua
Sofreu a dor, desatinou
Caiu no mundo e em suas garras
Sujou o tronco limpo
Do mundo amargo se mascarou
E a cada homem que lhe tinha
Ela explodia tanta dor
E vendia o veneno de sua tristeza
Então chorava e gritava
Jurava ser satisfação
Do prazer da dor causada
E já sorrindo sua amargura
Se acordava
Bobagem, deixa pra lá
Se confessava poetisa.
(Kel Mello).
sábado, 13 de outubro de 2007
A saga do poeta:.
O poeta tem a alma do sonhar. E no fundo o receio em se apegar. É ser livre, se entregar, errar.
Sentir a dor profunda da tristeza, mas como mais ninguém sentir a alegria de um olhar. É saber enxergar
o poço imundo como belo, se encantar. Fantasiar cada gesto como se quer ver; procurar, mergulhar até o cansar, o renascer. É o pôr do sol até o seu amanhecer.
A fotografia de uma pétala no lixo. A melodia do que nao foi resolvido. A pureza e o esgoto de um rio. A madeira e o desgosto do fogo. A dúvida do ser, estar; a capacidade de reinventar. A infinitude.
É batutar e não se importar. É agir de coração. É sentir a emoção da tentação. Encarar. Não se poupar, aceitar e não paragmatizar. É o silêncio, a tempestade. O desatino. Respirar. É a erva, o céu, a flor da terra e a correnteza que bate. É penetrar em cada estação, de curta ou longa duração.
E girar dentro de sua moradia. É não saber viver em ponto, eu conto: é poder voar.
(Kel Mello).
Sentir a dor profunda da tristeza, mas como mais ninguém sentir a alegria de um olhar. É saber enxergar
o poço imundo como belo, se encantar. Fantasiar cada gesto como se quer ver; procurar, mergulhar até o cansar, o renascer. É o pôr do sol até o seu amanhecer.
A fotografia de uma pétala no lixo. A melodia do que nao foi resolvido. A pureza e o esgoto de um rio. A madeira e o desgosto do fogo. A dúvida do ser, estar; a capacidade de reinventar. A infinitude.
É batutar e não se importar. É agir de coração. É sentir a emoção da tentação. Encarar. Não se poupar, aceitar e não paragmatizar. É o silêncio, a tempestade. O desatino. Respirar. É a erva, o céu, a flor da terra e a correnteza que bate. É penetrar em cada estação, de curta ou longa duração.
E girar dentro de sua moradia. É não saber viver em ponto, eu conto: é poder voar.
(Kel Mello).
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