Depois de um amor perdido
Se tenta buscar a vida
Recompensar a tristeza desvalida
De um tempo que já passou
Depois de um amor perdido
Não recuperado, repartido
Se acha o mundo perdido
Se vê num beco profundo e esquecido
Depois de um amor perdido
Não se quer mais saber de amar
Mas só o amor pode recompensar
A caminhada de um amor que já passou
Depois de se perder um grande amor.
(Raquel Mello.)
No mar... entre... mais perto do céu...
- Raquel Mello
- BH, Minas Gerais, Brazil
- A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
O homem que corria atrás de pombos:
Às seis da tarde nada se espera além do escurecer, mas naquela tarde algo fora do normal passou pelos meus olhos, meu coração.A admiração me fez rir, sorrir e abrir as asas. Um homem que pelo parque corria atrás de pombos. Corria desordenadamente tentando os agarrar. Com a persistência de um leão atrás de sua caça quando os alcançava apalpava, enchia de amor, carinho; mas se contentava com a curta duração da graça e com a emoção apaziguada, libertava. Sabia que se prolongasse a pureza se perderia. Do sentimento já dispersado, o belo se prolongaria em desencanto.
Ele tocava e sorria. Sorria com aquele sorriso prazero de quem como por um segundo alcança a plenitude. E de fato sua sensação era essa. Sem passado ou futuro, esquecia do ao redor e sentia quase que cegamente aquele momento furtivo, mas a intensidade com que o vivia lhe bastava. Se conformava em fazer de sua vida emoções picadas e desentendido, em seu mundo tudo se ligava. Na verdade essa era a razão de sua vida. Fazia isso com sonhos, trabalhos e mulheres.
Ali sentado no bar com seu café posto no balcão, de frente para a parede sua paisagem aberta era o sol matutino, a rua e o viaduto, porém seus devaneios lhe deslocavam para tão longe que nem sua própria presença ele percebia. O vapor do café lhe trazia memórias boas, melancólicas. Mas não se punha a pensar, deixava a sensação vir e passar no tempo que lhe era natural. E todos os seus dias corriam assim. As vezes intocado, as vezes surpreendido por alegrias instantâneas que de onde viam desconhecia, mas que preenchiam um espaço de satisfação fácil.
Naquele dia estranhamente as lembranças lhe invadiram em suas situações mais cotidianas.O café, que lhe carregou a outro mundo.E partindo para seus compromissos, papéis entregues, suas expectativas estavam além das horas, dos acontecimentos e respostas. De fato que o almoço ele engoliu. Do gosto, certo de que nada sentiu. E andou agitado até ás quatro. Sentou, abriu seu livro e cumpriu a rotina de que lhe agradava, lhe personificava. Às cinco sorriu. Adorava como as crianças brincavam em volta das árvores, e com o livro entreaberto aquelas linhas não mais tinham valor, se fez viajar. Mas aquela cena que lhe despertava esperanças, lhe fez relembrar as expectativas da infância. Seus amigos que sonhavam, projetavam-se espiões, bombeiros, que o gozavam e de nada entendiam quando dizia: o que quero ser quando crescer? Ah, eu quero ser caçador de pombos.
Ele tocava e sorria. Sorria com aquele sorriso prazero de quem como por um segundo alcança a plenitude. E de fato sua sensação era essa. Sem passado ou futuro, esquecia do ao redor e sentia quase que cegamente aquele momento furtivo, mas a intensidade com que o vivia lhe bastava. Se conformava em fazer de sua vida emoções picadas e desentendido, em seu mundo tudo se ligava. Na verdade essa era a razão de sua vida. Fazia isso com sonhos, trabalhos e mulheres.
Ali sentado no bar com seu café posto no balcão, de frente para a parede sua paisagem aberta era o sol matutino, a rua e o viaduto, porém seus devaneios lhe deslocavam para tão longe que nem sua própria presença ele percebia. O vapor do café lhe trazia memórias boas, melancólicas. Mas não se punha a pensar, deixava a sensação vir e passar no tempo que lhe era natural. E todos os seus dias corriam assim. As vezes intocado, as vezes surpreendido por alegrias instantâneas que de onde viam desconhecia, mas que preenchiam um espaço de satisfação fácil.
Naquele dia estranhamente as lembranças lhe invadiram em suas situações mais cotidianas.O café, que lhe carregou a outro mundo.E partindo para seus compromissos, papéis entregues, suas expectativas estavam além das horas, dos acontecimentos e respostas. De fato que o almoço ele engoliu. Do gosto, certo de que nada sentiu. E andou agitado até ás quatro. Sentou, abriu seu livro e cumpriu a rotina de que lhe agradava, lhe personificava. Às cinco sorriu. Adorava como as crianças brincavam em volta das árvores, e com o livro entreaberto aquelas linhas não mais tinham valor, se fez viajar. Mas aquela cena que lhe despertava esperanças, lhe fez relembrar as expectativas da infância. Seus amigos que sonhavam, projetavam-se espiões, bombeiros, que o gozavam e de nada entendiam quando dizia: o que quero ser quando crescer? Ah, eu quero ser caçador de pombos.
sábado, 10 de novembro de 2007
Futuros amigos
Ainda meio tonta vinda de um sono leve e conturbado finalmente acordei.
- Pega um copo de água! – lentamente, com ânsia, mas quase sem forças murmurei.
Ele só se remexeu, puxou as cobertas e me deu as costas quase sem escutar.Indignada, exclamei qualquer xingamento sem razão.
Pouco depois nos levantamos e rindo juntos a um amigo sobre os esquecimentos da noite passada, como de praxe, senti algo estranho.Logo então saímos, íamos almoçar na casa de sua avó.Era um almoço padrão, família, tias e tios sentados em volta à mesa e as conversas comuns, alheias que perduram horas.
- Passa o suco. – de maneira normal, a ele disse.
Foi quando olhei para o lado e surpreendentemente me deparei com um desconhecido.
Já haviam se passado três anos. Cheguei sem convites e logo fui apresentada aos outros pelo amigo que até lá havia me levado, e quase todos que já alterados, fizeram alegria e festa!
O engraçado é como as situações se repetem em nossas vidas e nem sempre sabemos explicar os motivos; Desta vez algo comum aconteceu, o surgimento de uma sensação (ou uma previsão, não sei) inquietante, por muitas vezes impertinente e até cativante.
- Engraçado, parece que lhe conheço de algum lugar! – disse “do fundo” de minha sinceridade.
- É, sempre me dizem parecer alguém, não sei por quê! – rindo ele respondeu.
Sim, já se passaram três anos e de repente me deparei assentada em volta de uma mesa com novos desconhecidos, uma mesma comida, agora provinda de outras mãos, uma tarde cotidiana e aquela mesma cara estranha ao meu lado. O mundo em suas muitas voltas e eu, que nunca poderia ter imaginado tantas histórias juntos, a forte existência de uma cumplicidade desde em porres violentos, manhãs que mais parecem um esboço de vida a conversas filosóficas e conselhos, cuidados pessoais.
Cheguei em casa e procurei esquecer o que havia se passado por entre as muralhas de minha cabeça. Tomei um banho, me troquei e fui de encontro aos compromissos já marcados para aquela noite. E no caminho, como um estalo, em um lugar movimentado mas com meu ser a sós é que percebi, fui descobrir. A resposta clara chegou em meio ao futuro, por uma sensação de um momento no passado e uma estranheza do presente.
Já haviam se passado três anos, e de repente em meio a um turbilhão de devaneios, a uma confusão mestiça de pensamentos, tão esclarecida, comigo mesma exclamei: -Eu sabia que conhecia aquele cara de algum lugar!
(Raquel Mello)
- Pega um copo de água! – lentamente, com ânsia, mas quase sem forças murmurei.
Ele só se remexeu, puxou as cobertas e me deu as costas quase sem escutar.Indignada, exclamei qualquer xingamento sem razão.
Pouco depois nos levantamos e rindo juntos a um amigo sobre os esquecimentos da noite passada, como de praxe, senti algo estranho.Logo então saímos, íamos almoçar na casa de sua avó.Era um almoço padrão, família, tias e tios sentados em volta à mesa e as conversas comuns, alheias que perduram horas.
- Passa o suco. – de maneira normal, a ele disse.
Foi quando olhei para o lado e surpreendentemente me deparei com um desconhecido.
Já haviam se passado três anos. Cheguei sem convites e logo fui apresentada aos outros pelo amigo que até lá havia me levado, e quase todos que já alterados, fizeram alegria e festa!
O engraçado é como as situações se repetem em nossas vidas e nem sempre sabemos explicar os motivos; Desta vez algo comum aconteceu, o surgimento de uma sensação (ou uma previsão, não sei) inquietante, por muitas vezes impertinente e até cativante.
- Engraçado, parece que lhe conheço de algum lugar! – disse “do fundo” de minha sinceridade.
- É, sempre me dizem parecer alguém, não sei por quê! – rindo ele respondeu.
Sim, já se passaram três anos e de repente me deparei assentada em volta de uma mesa com novos desconhecidos, uma mesma comida, agora provinda de outras mãos, uma tarde cotidiana e aquela mesma cara estranha ao meu lado. O mundo em suas muitas voltas e eu, que nunca poderia ter imaginado tantas histórias juntos, a forte existência de uma cumplicidade desde em porres violentos, manhãs que mais parecem um esboço de vida a conversas filosóficas e conselhos, cuidados pessoais.
Cheguei em casa e procurei esquecer o que havia se passado por entre as muralhas de minha cabeça. Tomei um banho, me troquei e fui de encontro aos compromissos já marcados para aquela noite. E no caminho, como um estalo, em um lugar movimentado mas com meu ser a sós é que percebi, fui descobrir. A resposta clara chegou em meio ao futuro, por uma sensação de um momento no passado e uma estranheza do presente.
Já haviam se passado três anos, e de repente em meio a um turbilhão de devaneios, a uma confusão mestiça de pensamentos, tão esclarecida, comigo mesma exclamei: -Eu sabia que conhecia aquele cara de algum lugar!
(Raquel Mello)
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