No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Incha dia:.

Eu vi a infância adentro rosto de meu avô. Todos os sonhos e planos de um futuro expostos sob a face presente. As expectativas deitadas sob a cama. Os pés agitados a descansar. Na ânsia de crescer, pela luz tardia que invadia o quarto, a correria pela vida por debaixo das cobertas quentes, serenas.
A repousar.
Um bebê, uma flor frágil. Eu vi seus pés inchados. Aquela cama, eu vi um berço. Uma criança que ainda não aprendeu a andar. Uma infância que precisa de um futuro que sai pelas janelas para voar.

(Apesar de achar que ainda não está terminada, resolvi postar.. afinal.. as coisas nunca estão terminadas.)

(Raquel Mello)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ela me retorna a minha origem. Ela retoma a possibilidade da vida, a mesma que só existe devido a morte. Na impossibilidade de abrir vôo, flutuo sobre sua imensidão. Não conseguindo apalpar mundos que passam pela minha cabeça ela oferece outra dimensão, outra densidade, a sensação de si num outro todo. Num outro todo que lhe prende e lhe abraça muito mais que o ar. Nela fujo e reafirmo minha condição solitária. De homem que nasce só. E sempre anda sozinho. Esperando a morte que lhe carrega sempre desacompanhado.

ÁGUA É VIDA!!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Por ai, borboleta:

A vida se mostra ínfima em suas fronteiras. Ela já tinha conhecimento de que só poderia oferecer a real felicidade a alguém a partir do momento em que a lhe continha em mesmo peso. E que a comunhão não fizesse a ela faltar. E que para entrelaçar duas mãos era preciso que cada uma existisse e para que desse frutos era preciso que cada uma de si compartilha-se, e que para torná-las uma só bastava apenas que se compreendessem.
Mas ela gostava de se entregar ao desatino. Entregava sua vida.
Se permitia cansar das alturas para poder devanear pela vertigem. Sonhava em cair e ser repousada sobre braços pomposos que lhe acolhessem a queda. Mas quem a permitisse cair na tentação, com uma incrível sofreguidão, deteria o poder de suas asas. Sabia que o amor só florescia fora de panelas e que do fervor bastava-se o ar quente das pernas. Que o infinito interno devia se igualar ao céu que lhe abriam as janelas. Sabia que a felicidade era a prole da explosão de belezas. E que a sua beleza estava justamente no colorido do bater de suas asas a voar.