Tomo no copo que te pertenceu
E em sua memória pereceu
Tomo o café que você disse queimar
E em minha saliva sinto a tua presença
E até a broa, naquela mesa
A geléia de amora fresca
O pão de queijo, a manteiga
Me fazem te redegustar
Aquela estrela que vimos juntos
Que só uma vez pôde cair
Alguma chuva que junto de nós passou, molhou
E no ar já expirado, secou
A estrada por onde ainda caminho
A rua que nossos passos levou
O teu chinelo velho
Que você me fez experimentar
O sorriso que me deste quando me pus a descalçar
Até meus pés me fazem te reencontrar
E outras línguas articuladas
Que me retornam falas
Da tua boca carnuda
Mas em correntezas já desaguadas.
(Raquel Mello).
No mar... entre... mais perto do céu...
- Raquel Mello
- BH, Minas Gerais, Brazil
- A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
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