No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Velha mandingueira

Velha mandingueira
Uma vez assim me falou
Que não importa em quais tempos
Para a vez que chegou

Toda grama, todo passo, todo tic tac
Toda pedra, todo tiro, sob o estandarte

E ela cantava os seus versos, recriminam a cidade
E chorava risos, calejados de recheio
E andava apressada com seus passos devagar
Para assistir a fuga de quem vai voltar

Velha mandingueira
Cantando os seus versos sem ré, mi ou dó
Esperava assentada cada hora passar
E se ria com sorrisos de pura ambição
Como quem dizia, escolha o prato ou o pão

Velha mandingueira em seus olhos a espera
E o doce acumulado de tanta miséria
A desgraça em sua face, e o sorriso sem os dentes
Me cuspiam as verdades
Me acusavam de inocente.

(Raquel Mello)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A vida e a morte andam de passos dados

A vida bela em sua infinidade
E o mistério à assolar a humanidade

O tempo corre
Mas não há quem mate
Toda beleza, a tua arte

O tempo vai, o vento volta

Não se percebe
Que os momentos imagináveis,
Tão agradáveis...
Arriscam o mesmo céu,
De todo dia.

(Raquel Mello).

Vida bela

Paro o mundo inteiro
Inteiramente faço belo
Pois decidi me permitir
A sorrir
A viver a melodia

Pelos céus vejo o caminho
E tranquila sigo meus instintos
Leve como a brisa
Caminho

Flores, me alimento
Alimento meu coração
Breve, bravo
Paro a estação

O mundo está inteiro
Inteiramente belo
Pois eu decidi me permitir
A sorrir
A viver a melodia

Saio, vibro e vivo
Leve como a brisa
Caminho a cantar por aí.


( Raquel Mello.)

terça-feira, 24 de julho de 2007

Fora de moda

Ih,ela tá fora de moda
Vestido rendado
Anel laçado
Sem par de botas

Ela tá fora de moda
Fugiu da rota
Largou herança
Te deixou de lado

Ela tá fora dos eixos
Com a perna bamba
E os pés descalços

Ih,ela tá fora de si
Viu num trago seu destino
Abandonou o teto a fora
E virou imperatriz

Do seu querer,
Do seu caminho fora de moda...

(Raquel Mello).

Beco sem saída

Era eu quem estava
Assentada, esperando
Pensando na vida
Que se fez mostrar
Uma eterna despedida

Que nem todo fim é tão feliz
Que as horas te empurram sem você agir
Que a escolha de partir
É o consolo de não poder ficar
Pois a vida mesmo se parte sem você deixar

E eu lembrei do sorriso
Que a moça dos meus olhos deu
Em seus cabelos longos
Minha vida inundada de sonhos

E pensei que mesmo que todas as estrelas caiam do céu
Se a minha não aterrissar
Eu vou continuar

Pois bonita, a vida é um beco sem saída
E mesmo que negues a partida,
Ela vai chegar

E mesmo eterna despedida
Seja um beco sem saída
Ainda assim, eu vou continuar
Minha estrela, sou eu quem vai buscar.

(Raquel Mello).

Omego

Mais uma nova tarde
Quintas-feiras ociosas
Espero alcançar
Por de trás de uma janela
Que construir para tapar
O que mais desejo possuir

Somos assim
Desconfiados de contentação
Insatisfeitos só por tesão
E um motivo
Para recomeçar

São as portas que se abrem pra fechar
Toalha suja agora pra limpar
Um lenço seco a se afogar
No laço estéril
De uma cena
Que se presa a relembrar

Então se chora
Para ter que rir
E se prende pelo prazer de poder se libertar
Tanta procura só saciar
O que se acha para desgastar

São as portas que se abrem pra fechar
Toalha suja agora pra limpar
Um lenço seco a se afogar
No laço estéril
De uma cena
Que se presa a relembrar

Só uma peça usada para tapar
Tudo que depois se quer despir
Mais um beijo instigante
Usado para se despedir.

(Raquel Mello).

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Amor

O amor é um copo cheio de satisfação
De bebidas adocicadas e de devaneios
Tudo se pode, tudo se move
Pensamentos que se encontram

E os aglomerados corpos
Que se confortam no embalo
Alimentam-se do brilho de um olhar
Saboreando os instintos
E filmando toda cena

As palavras, uma música
Guardadas na areia
Que o vento leva e substitui

São relembradas pelo laço
De um abraço,
E dos momentos de solidão.

(Raquel Mello).

Um anel no céu

Um anel no céu
Uma lua de compromissos
Sem laços, sem cachos
Mel
Um maço, e nada mais...

(Raquel Mello).

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Ao poeta do amor

Eu poeta exagerado
Invento tantas dores
Só pra depois curá-las
Com anacrônicas risadas
Pra me convencer
De que já não há mais nada
Mas é que eu deixei de rir para chorar
Melancolia e poesia
E só agora é certa a cronologia
Pois se toda paixão é cega
Seja doce fel
Só quando passa é que se percebe
Que o relógio da tua copa
Não parou de gotejar
Enquanto você buscou secar
Mais um instante qualquer
Encharcado de ironia...

(Raquel Mello.)

À minha vista

Não obedeço meus instintos
Escrevo a poesia
Finto a dor
Utópico amor
Só pra enganar, enganar...

Forjo a cor,
Então me fecho em pupilas coloridas
Nos sinto a sós sem a conquista
Me emudeço, me descaro a qualquer pista

Que não despida
Algum amor
Que restou
À minha vista

Me imagino só despida
Ao teu amor
Que só restou

À minha vista...


(Raquel Mello).

Em frente

Não vou deixar de ir
Por saber que irei voltar
Nem evitar um tal amor
Por temer tua partida
Não vou deixar pra traz, a saudade que me abriga
Pra esquecer tantas lembranças e guardar as despedidas

Vou em frente com meu passado e futuro
E meus olhos tão exatos defrontando com surpresas
Mesmo que em teus lábios,
Só palavras esperando a recompensa

Novidades excitantes é o que satisfaz
Mas seguro não vem vindo sobre uma bandeja
Pois se beleza não põe mesa
E o melhor da sobremesa
É o gosto doce,
Que cobre o amargo, de uma vida inteira.




(Raquel Mello).

Dona flor

Tu és minha paixão
E ele o meu porto
Tu completa meus desejos
E ele me assegura em temores

Mas por que me pedes para dividir?
Se só sou feliz assim...
Em querer, em mal querer
Tendo a ele e a você

Você acelera meu coração
E ele me alimenta com sua sensatez
Ele traz a paz que conforta de viver
E você a sensação que me tira a razão

Mas por que me pedes para dividir?
Se só sou feliz assim
Em querer, em mal querer
Tendo a ele e a você

Mas por que me pedes para dividir?
Se só sou feliz assim...
Não importa o maldizer
Só pertenco a ele,
E a você.



(Raquel Mello).

Vertigem

Vertigem
Cansada de frases e teorias
Na maleta lembranças passadas
Saudades cansadas
De peças usadas

Mas tudo é tara
Pelo que não presta
Se ressalta a atenção
Pelo incerto, pelo errado
É tanta dúvida pela indecisão

É a paixão pelo cego de uma rua
Pelos gritos mudos
Que ousam me guiar
Em seus passos surdos
Que me buscam ao chegar

Tudo é mentira
Mania, maldição
A paixão é falta de memória
Sem razão tudo é gloria
Sem infâmia não se alcança perfeição

Almejada por tesão
A vontade de querer
Por momentos, por prazer
E depois, fingir se arrepender...
Hoje em dia é tanta ladainha

Permissão pra se viver.



(Raquel Mello).

Bamba

Chega mais
E vêm curtir o samba
Porquê mulata que é bamba,
É bamba!

Chega mais
Experimenta o meu jeito
Jeito de quem quer
Continuar...

Continuar esse refrão que não se acaba
Mas acaba comigo
Me deixando bambo, torto
Judiando meu instinto
Meu instinto mascado, sacado
É o que me dá abrigo

Chega mais
E vêm curtir o samba
Do branquinho da neguinha
Porquê o que a gente gosta
É... , é bamba!



(Raquel Mello).

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Fuga à francesa

Por essa noite vou me libertar
E a cada bar me procurar
Vou contar como fui vítima de meus crimes
Inocente crueldade que mágoa

Lamentar pela perda de tantos sonhos
E banalizar minha falta de coragem
Minimizar cada sentimento alheio
E satisfazer sem culpa meus desejos

Então vou rir de minhas desgraças
E sorrir para o pecado
Em uma valsa dançar minhas frustrações
Beber como o mais forte dos fracos

Talvez em diversos pensamentos
Cair num mar de ressentimentos
De verdades sufocadas
Por trás de belas noites
Banhadas em sorrisos passageiros
Em palavras, em brinquedos

Logo então já poderei dormir
Tão alta que não sentirei
Não sonharei
O peso dos meus dias
Afogados e acesos.

(Raquel Mello).

Sertão de flores

A chuva nunca esteve tão triste
Neste sertão de respostas
Com flores belas e mortas
Enquanto meus olhos se tornaram cinzas
Sem ar de graça ou emoção
Á procura do consolo nas mãos
Desencontradas do caminho
Que nos atravessa e rodeia
Nos leva e deixa.

(Raquel Mello).