O tempo corroeu as portas. Então a recobri com retalhos para que não passasse nenhum rato por debaixo delas.
Os ratos corroeram os retalhos, fizeram da minha proteção seu recanto de pernoite, por vezes invadindo o meu território. Resolvi trocar a porta, e colocar em seu lugar alguma que me assegurasse uma noite inteira de sono.
Mas continuava escutando os barulhos. Esvaziei os armários, arrastei a cama, troquei os móveis de lugar. E os barulhos ainda assim continuavam. Cimentei a porta. Me tranquei no quarto. Vigiei a janela. Durante a noite, com as vistas já exaustas, fechei a janela e adormeci. E ainda assim os ratos invadiram meu quarto e meu corpo, em um sonho.
.
.
.
Preciso me detetizar.