No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

''Fiz de quatro paredes em meu corpo uma muralha transparente e fui ao longe..''

Que a insensatez não seja em vão
Que o seu retorno seja alegria certeira de se aventurar
Que a vida te mostre o caminho através do devaneio
Que ínfima sejam as fronteiras da ausência do peso, a leveza
Que você sorria ao acordar
Que o céu esteja sempre aberto em seus olhos, que eles brilhem
Que o sono realmente reconstitua e renove os pedaços
Que suas lágrimas sejam usadas para regar as flores dos jardins de sua alma
Que consiga amar o nada para conseguir alcançar o tudo
Que sua vida não caiba resumos
Que as coisas nunca estejam terminadas
Que você não perca sua essência e cegue o essencial
Que não detenha o poder de suas asas
Que você não passe a vida a procurar, despercebendo o encontrar
Que seus pés não se prendam a sapatos, nem estradas
Que você os permita flutuar como uma mente que vive em sonhos...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Incha dia:.

Eu vi a infância adentro rosto de meu avô. Todos os sonhos e planos de um futuro expostos sob a face presente. As expectativas deitadas sob a cama. Os pés agitados a descansar. Na ânsia de crescer, pela luz tardia que invadia o quarto, a correria pela vida por debaixo das cobertas quentes, serenas.
A repousar.
Um bebê, uma flor frágil. Eu vi seus pés inchados. Aquela cama, eu vi um berço. Uma criança que ainda não aprendeu a andar. Uma infância que precisa de um futuro que sai pelas janelas para voar.

(Apesar de achar que ainda não está terminada, resolvi postar.. afinal.. as coisas nunca estão terminadas.)

(Raquel Mello)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ela me retorna a minha origem. Ela retoma a possibilidade da vida, a mesma que só existe devido a morte. Na impossibilidade de abrir vôo, flutuo sobre sua imensidão. Não conseguindo apalpar mundos que passam pela minha cabeça ela oferece outra dimensão, outra densidade, a sensação de si num outro todo. Num outro todo que lhe prende e lhe abraça muito mais que o ar. Nela fujo e reafirmo minha condição solitária. De homem que nasce só. E sempre anda sozinho. Esperando a morte que lhe carrega sempre desacompanhado.

ÁGUA É VIDA!!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Por ai, borboleta:

A vida se mostra ínfima em suas fronteiras. Ela já tinha conhecimento de que só poderia oferecer a real felicidade a alguém a partir do momento em que a lhe continha em mesmo peso. E que a comunhão não fizesse a ela faltar. E que para entrelaçar duas mãos era preciso que cada uma existisse e para que desse frutos era preciso que cada uma de si compartilha-se, e que para torná-las uma só bastava apenas que se compreendessem.
Mas ela gostava de se entregar ao desatino. Entregava sua vida.
Se permitia cansar das alturas para poder devanear pela vertigem. Sonhava em cair e ser repousada sobre braços pomposos que lhe acolhessem a queda. Mas quem a permitisse cair na tentação, com uma incrível sofreguidão, deteria o poder de suas asas. Sabia que o amor só florescia fora de panelas e que do fervor bastava-se o ar quente das pernas. Que o infinito interno devia se igualar ao céu que lhe abriam as janelas. Sabia que a felicidade era a prole da explosão de belezas. E que a sua beleza estava justamente no colorido do bater de suas asas a voar.

sábado, 11 de outubro de 2008

É?

O silencio é extremamente sugestivo. Assim como a escuridão que silencia a visão. Na falta dos sentidos toda criatividade floresce. Passamos a vida inteira explorando e desgastando os caminhos que a claridade sensorial nos oferece. Passamos pela vida, pausando apenas para questionar a razão. A razão do verde, a razão da gravidade, a razão da maça e razão de sua criada citação. Quantas portas se abrem nessa vida? Se abrem e se fecham na saída. Não tenho conhecimento de nenhuma porta que nunca se fechou. E dentro do espaço que elas asseguram há tempo. Muito tempo. Talvez tempo vazio, mas sempre tempo perdido. Ou será que na falta da presença de vida o tempo é estático pelos quartos, salas, banheiros, escritórios, lojas, museus? Todo aquele ar contido desperdiçado... o tempo não passa por ambientes fechados? A porta do caixão se fecha. Nostalgia é luxo. Quando abrimos a mente à ela perdemos sempre o novo tempo. Imagino que a morte deve ser assim. Deve ser o único momento em que a nostalgia deixa de ser luxo e existe em condição orgânica. E não dói. Todo aquele tempo vazio de compartimentos por vezes inabitados lhes surge e todas as lembranças que se pode cabem. Cabem porque suas portas estão se fechando. O rastro de vida esta se esvaindo, a porta vital se fechando e o tempo se tornando estático. E a percepção da passagem do tempo é a prova sensorial de que estamos vivos. Então enquanto seus olhos, portões milagrosos aos poucos vão se fechando, seu coração e órgãos silenciando seu mecanismo, seus sentidos emudecendo as reações, há tempo de sobra. Talvez a morte seja simplesmente necessária para o florescimento da criatividade ou à abertura a outra realidade através do silêncio dos sentidos. Dinâmica ou não. No compartimento intímo inativo, estático tempo talvez a morte seja realmente a porta para a eternidade.

Raquel Mello.

JASON VIEAUX

Só então eu vi
Que por detrás de uma canção, existe um sentimento
E por detrás deste o momento
E dentro do momento a eternidade
E desta alguém que já não mais vê
Alguém que já não mais vive
E saudoso busca reencontrá-la na memória
Por detrás das cordas de um violão.

Kel Mello.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A ânsia repele a união da pele.