No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ela me retorna a minha origem. Ela retoma a possibilidade da vida, a mesma que só existe devido a morte. Na impossibilidade de abrir vôo, flutuo sobre sua imensidão. Não conseguindo apalpar mundos que passam pela minha cabeça ela oferece outra dimensão, outra densidade, a sensação de si num outro todo. Num outro todo que lhe prende e lhe abraça muito mais que o ar. Nela fujo e reafirmo minha condição solitária. De homem que nasce só. E sempre anda sozinho. Esperando a morte que lhe carrega sempre desacompanhado.

ÁGUA É VIDA!!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Por ai, borboleta:

A vida se mostra ínfima em suas fronteiras. Ela já tinha conhecimento de que só poderia oferecer a real felicidade a alguém a partir do momento em que a lhe continha em mesmo peso. E que a comunhão não fizesse a ela faltar. E que para entrelaçar duas mãos era preciso que cada uma existisse e para que desse frutos era preciso que cada uma de si compartilha-se, e que para torná-las uma só bastava apenas que se compreendessem.
Mas ela gostava de se entregar ao desatino. Entregava sua vida.
Se permitia cansar das alturas para poder devanear pela vertigem. Sonhava em cair e ser repousada sobre braços pomposos que lhe acolhessem a queda. Mas quem a permitisse cair na tentação, com uma incrível sofreguidão, deteria o poder de suas asas. Sabia que o amor só florescia fora de panelas e que do fervor bastava-se o ar quente das pernas. Que o infinito interno devia se igualar ao céu que lhe abriam as janelas. Sabia que a felicidade era a prole da explosão de belezas. E que a sua beleza estava justamente no colorido do bater de suas asas a voar.

sábado, 11 de outubro de 2008

É?

O silencio é extremamente sugestivo. Assim como a escuridão que silencia a visão. Na falta dos sentidos toda criatividade floresce. Passamos a vida inteira explorando e desgastando os caminhos que a claridade sensorial nos oferece. Passamos pela vida, pausando apenas para questionar a razão. A razão do verde, a razão da gravidade, a razão da maça e razão de sua criada citação. Quantas portas se abrem nessa vida? Se abrem e se fecham na saída. Não tenho conhecimento de nenhuma porta que nunca se fechou. E dentro do espaço que elas asseguram há tempo. Muito tempo. Talvez tempo vazio, mas sempre tempo perdido. Ou será que na falta da presença de vida o tempo é estático pelos quartos, salas, banheiros, escritórios, lojas, museus? Todo aquele ar contido desperdiçado... o tempo não passa por ambientes fechados? A porta do caixão se fecha. Nostalgia é luxo. Quando abrimos a mente à ela perdemos sempre o novo tempo. Imagino que a morte deve ser assim. Deve ser o único momento em que a nostalgia deixa de ser luxo e existe em condição orgânica. E não dói. Todo aquele tempo vazio de compartimentos por vezes inabitados lhes surge e todas as lembranças que se pode cabem. Cabem porque suas portas estão se fechando. O rastro de vida esta se esvaindo, a porta vital se fechando e o tempo se tornando estático. E a percepção da passagem do tempo é a prova sensorial de que estamos vivos. Então enquanto seus olhos, portões milagrosos aos poucos vão se fechando, seu coração e órgãos silenciando seu mecanismo, seus sentidos emudecendo as reações, há tempo de sobra. Talvez a morte seja simplesmente necessária para o florescimento da criatividade ou à abertura a outra realidade através do silêncio dos sentidos. Dinâmica ou não. No compartimento intímo inativo, estático tempo talvez a morte seja realmente a porta para a eternidade.

Raquel Mello.

JASON VIEAUX

Só então eu vi
Que por detrás de uma canção, existe um sentimento
E por detrás deste o momento
E dentro do momento a eternidade
E desta alguém que já não mais vê
Alguém que já não mais vive
E saudoso busca reencontrá-la na memória
Por detrás das cordas de um violão.

Kel Mello.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A ânsia repele a união da pele.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Harmônica:

Esta tarde ouvi aquela melodia. Assentada sozinha fechei os olhos e a quis para minha eternidade. A melodia que me tocou mas que nunca haveria de apalpar. Levaria a aos meus mais tenros desejos. Ao poço formado por todas as lagrimas que regaram dias tristes. Ao vento que refresca aos jardins floridos da alegria. A queria para sempre de mãos dadas como aqueles raros momentos de plenitude. Mas também sobre o instante em que despercebida encontrei o motivo de exagerada entrega. Sobre a madrugada em que nos aventuramos para do mundo zombar, gozar acusando o inevitável. A queria naquela noite estrelada enquanto conversávamos sobre a grama, confessando nossas fraquezas. Sobre uma tal cama em que unimos nossos corpos e nos entendemos em risadas. Sobre o clarão e o infindo dos céus em que nos prometemos sem temor. Sobre toda água e sabão que já secou ou ainda lavará. Sobre o sol, a terra e o ar que se respira. Sobre a toalha que ainda hei de molhar, o talher que haverei de sujar; o copo que haverei de esgotar e o pires de doce que ainda irei lamber. Sobre as vestes, a sola, os pêlos, a pele. Sobre o frio da barriga ao subir a arvore, ao telhado ou ao elevador. Sobre a tola certeza de um dia acreditar ter encontrado. E também naquela tarde sob o samba, amigos e cerveja. Sobre a tradicional cerimonia familiar de natal. Sobre a nostalgia que sinto ao ter conhecimento de tudo o que não vivi lendo alguma prosa. Sobre a hora de dormir. Sobre as portas e o conteúdo nunca acordado dos mistérios que sonho. Junto ao pão de cada dia. Sobre minhas manhas esboçadas, minhas tardes de nada. Sobre cada passo que me leva a madrugada. Sobre a vontade de alcançar o tempo e saborear todo o mundo. Estaria sobre as minhas brigas, desolação, em acelerada partida. Na minha solidão em reflexão. Nos momentos de alegria como dança. No amor como natural encantada sensação. Nas surpresas emoção. Aquela melodia poderia trilhar minha vida. Inexplicável; se pudesse a sentir de olhos abertos sempre me vendo por dentro como esta tarde a ouvi.

(Raquel Mello).

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Porquê?

Porquê a gente sempre relaciona
Porquê a gente sempre mistura
A gente substitui
A gente sempre tem lembranças..

Dale, escrevi 4 linhas...

Raquel Mello.