No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Téta

Desafinei meu canto
Tentando me alinhar ao teu
Aos teus passos
Desencontrados deste meu
Neste meu tempo
Desajeitado
De sorrisos
De pura púrpura
Que trás o vento
Que também leva
Desde meu ser
Que sabe amar
Apenas só.

Kel Mello.

(um poema antigo para desenpoeirar esse blog)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Linha do tempo:

O desejo corre
Todo corpo sofre
O desgosto late
O relógio que não bate

O relógio bate
O desejo se aflora
Todo corpo late
O gozo se apura

O desgosto parte
O desejo, a ternura
Todo corpo corre
O relógio bate

Todo corpo bate
O desejo sofre
O relógio morre
E o gosto se escorre...

(Raquel Mello)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ainda:

Ainda sendo esculpida pela vida
Em instantes, preterida em tuas pupilas
Que definiam dentro das retinas todo o meu contorno
Sem ver muito o interno
Sem procurar o em torno

Ainda esculpida pelos segundos que se passam
A velocidade com que minha essência se transmuta
Os passos de teus olhos não podem buscar
Nem ao menos se concentrar
Tudo se revela insconstante ao se revelar

Ainda sendo esculpida pelos novos sonhos a almejar
Não percas tempo a tentar me decifrar
A tentar me flagrar, me entender,
A minha alma desenhar
Ouça o que digo, será nua verdade

E minhas vistas sempre ainda sendo esculpidas
Leia em meus olhos o sentimento, estado, instante
Sinta o que eles querem lhe contar
Podem lhe fazer entender, sentir, tocar
Em mim, teu impalpável ser penetrar.


(Kel Mello).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Desenhar a vida:

No silêncio da sala
Minha mente já rodou
Deu vida à estátuas
Deu sons à cor
As paredes em branco
Deram margem ao lápis
De minha louca cabeça
Que desenhou
A nossa volta
A caminhar, à passear em algum lugar
Que nunca se imaginou
À escrever o que deseja ser
À desenhar as linhas à se pisar
Independente da estrada
À assinar você.

(Raquel Mello).

Até daqui a pouco:

Nada entendia aquela menina ao ver os rostos, tão tristes a beira de um caixão.Sua mãe veio docemente lhe dizer que sua avó havia partido.Ela já estava sentindo algo estranho, conseguia ver a sua avó, mas não sentia mais a emoção, o calor.Perguntou a sua mãe, queria saber a direção.Pensava em lhe enviar cartas para matar um pouco a saudade.Mas sua mãe lhe disse que sua avó havia ido para o céu, ajudar Deus.Bela sabia que lá era lonjão, e mesmo se usasse todas as suas forças, até mesmo se subisse em uma escada e arremessasse, a carta não chegaria.
Ela chorou.Ainda a pouco desconhecia a saudade pelo eterno.Sabia que sua avó tinha se mudado para o céu e toda vez que para ele ela olhasse, sua avó a estaria vendo.Cresceu e aprendeu a conhecer a morte.Não gostava dessa palavra que lhe trazia lembranças de ver tantas faces vivas mortas.Era a partida, o velório, o enterro, a última, finalizada despedida. Mas Bela já era grande, e já havia ouvido uma frase que muito a consolava.´´Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma``. E tinha muita certeza que cada vez que se deparasse com o Adeus, na realidade era um até daqui a pouco.Sabia que não poderia mais tocar as mãos quentes, acolhedoras; e que nunca mais haveria de ver aquele sorriso compondo o corpo, nem os olhos que se encaixavam perfeitamente em cima daquele nariz imperfeito de sua avó.Mas várias situações a faziam sentir-se assustadoramente sob a presença dela. ´´Cheiro de vó``, era o aroma de azaléias que a faziam devaneiar e sentir-se em uma tarde passada.Lábios desconhecidos que sultilmente sorriam à tentar consolá-la quando estava triste. Olhares sob nariz de todas as dimensões, mas que transmitiam palavras de sabedoria mudas, que a faziam sentir que tudo passa, que ela ainda havia muito a crescer. Nunca se conformou com a tristeza da partida.Ela sempre soube que não teria mais ao seu ver aquele corpo completo.Mas também que sua avó nunca partiu, nunca iria partir.De sua presença ela se repartiu, mas estaria sempre dentro dela, e dela nunca haveria de ir.

(Raquel Mello)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Você pode escolher:

Você pode escolher
Com que sapato você há de caminhar
Com a intensidade da transparência e nudez
Que você pode se relacionar

Com o mundo ao seu redor
Com cada momento que faz a sua vida girar

E é por isso que eu lhe digo, meu amigo
Que você pode escolher o quê calçar

Que sua estrada será
O quê você andar a ver, viver
O quê os seus olhos enxergarem
O que você anda a sentir, o que anda a tocar
O quê você anda a caminhar
O quê você anda a cultivar

E é por isso que lhe digo, meu amigo
Que você pode escolher oque calçar

Você pode vestir sua alma, você pode se entregar
Você pode viver a calma, você pode se violentar
Você pode pegar um trem frente ao inferno, você pode pela paz caminhar
Você pode se atar a teias, feias, você pode se libertar

E é por isso que lhe digo, meu amigo
Que você pode escolher oque calçar

Que você pode sorrir, pode chorar
Pode ver, viver, viver
Pode buscar,
Experimentar você

E é por isso que eu lhe digo, meu amigo
Que você pode escolher o que calçar,
Se descalçar
Pode voar!

(Raquel Mello).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Memórias de um amor:

Tomo no copo que te pertenceu
E em sua memória pereceu
Tomo o café que você disse queimar
E em minha saliva sinto a tua presença

E até a broa, naquela mesa
A geléia de amora fresca
O pão de queijo, a manteiga
Me fazem te redegustar

Aquela estrela que vimos juntos
Que só uma vez pôde cair
Alguma chuva que junto de nós passou, molhou
E no ar já expirado, secou

A estrada por onde ainda caminho
A rua que nossos passos levou

O teu chinelo velho
Que você me fez experimentar
O sorriso que me deste quando me pus a descalçar
Até meus pés me fazem te reencontrar

E outras línguas articuladas
Que me retornam falas
Da tua boca carnuda
Mas em correntezas já desaguadas.


(Raquel Mello).