Ela estava vestida de chuva
E tinha as pernas e o ventre livres
Tinha olheiras literárias
De quem sobre e desce escadas distraída
Imaginei seu bafo
Vendo seus lábios que diziam ao companheiro ao lado
Palavras que soavam tão sozinhas
Senti sua presença em um instante
Seguido dos seus decididos passos em partida
E como mulher-chuva
Receio que caminhara pela noite escura até o amanhecer
Em busca de uma compania literária
Que calasse tuas palavras solitárias
Lhe deixasse olheiras distraídas
Entre lábios e pernas, com um livre bafo
Amanhecesse teu ventre.
No mar... entre... mais perto do céu...
- Raquel Mello
- BH, Minas Gerais, Brazil
- A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
O que não mais convém
Isolo o que me contém e não me atordoo com conversas alheias.
Porque o silêncio está ao redor e cabe em mim.
Percebo que nossa história é emoldurada. Um contorno que guarda um certo caos, um movimento que o tempo inteiro quer transpassar as bordas, um ruído intenso que não cabe e não se conforta.
E nem tudo que penso ou digo são para você.
Mas toda desorientação que em minha mente penetra; a dor e a esperança do que nunca há de ser, e todas as outras coisas que não me deste se tornam meu refúgio mental e impulsionam meu corpo para a conquista.
As vezes não ter é o que nós faz não desistir da vida.
Mas agora, por instantes, sou silêncio. E mesmo assim, tua memória emoldurada vêm. Porque o silêncio me trouxe a escrever e derrepente percebo que as palavras sempre foram as substancias incontidas; sempre foram as detentoras da única força que arrebentava as bordas.
E agora então, finalmente, entendo todo o seu medo de me ler.
Porque o silêncio está ao redor e cabe em mim.
Percebo que nossa história é emoldurada. Um contorno que guarda um certo caos, um movimento que o tempo inteiro quer transpassar as bordas, um ruído intenso que não cabe e não se conforta.
E nem tudo que penso ou digo são para você.
Mas toda desorientação que em minha mente penetra; a dor e a esperança do que nunca há de ser, e todas as outras coisas que não me deste se tornam meu refúgio mental e impulsionam meu corpo para a conquista.
As vezes não ter é o que nós faz não desistir da vida.
Mas agora, por instantes, sou silêncio. E mesmo assim, tua memória emoldurada vêm. Porque o silêncio me trouxe a escrever e derrepente percebo que as palavras sempre foram as substancias incontidas; sempre foram as detentoras da única força que arrebentava as bordas.
E agora então, finalmente, entendo todo o seu medo de me ler.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
POR UNA CABEZA:
Pelo salão eu circulava deslizando
Pés mornos
Um calor que não pingava
Sonho embriagado, a consciência a flutuar
Um amor que soprava sem intervalos,
Que recobria meu corpo, que silenciava meus lábios
Sorrindo.
Pés mornos
Um calor que não pingava
Sonho embriagado, a consciência a flutuar
Um amor que soprava sem intervalos,
Que recobria meu corpo, que silenciava meus lábios
Sorrindo.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Lá
Eu por cá já saciada de amores líquidos que me deixam sedenta do que já não é, me esquecendo de um será úmido nos chãos de pedra em que deslizo. Eu por ali, já antiga, já vivida, comida e desidratada pelo tempo que permanece em gavetas desgastadas. Eu quando ando cansada de mim mudo de mundo, renasço para uma viagem interligada pelo mesmo corpo, cama e carma. Eu que bato de porta em porta em busca de um outro que me carregue para um nunca mais. Mas a eternidade é de essência passageira. É tempo, espaço e percepção. Numa casa fresca, uma cama quente, a madeira estalando, a água fervendo, as janelas para sempre amanhecendo e anoitecendo. As vezes chuva. E por muitas, muitas, um calor que desnuda todos os receios e se entrega sem palavras a sua própria urgência.
E ela não sabia o que fazer com aquele monte de sentimentos que a acordavam no meio da madrugada apenas para lembrá-la que mais tarde ela teria que novamente se levantar. Acordava como quem não tivesse dormido, pois sentia a falta da presença de sonhos em sua noite, pela expectativa do ''e'' que preenchia e apagava seus dias. Olhava no espelho e não se reconhecia. Observava o redor e se sentia como uma mariposa à espera da morte. Se via apenas como uma matéria sensível que lhe proporcionava deslocamentos, sensações, gozos e dores musculares das quais não mais se importava. Tinha seu coração como fonte de tempestades e paz, no qual lhe escapava a alegria consoladora dos prazeres da carne. Se afogava em poesias para ocultar a angústia consequente dos anseios de sua mente e corpo, sendo aquelas, o único alimento que tapeava o vazio de sua alma. Com o desejo entregue, que o livro nunca se fechasse e ela se perdesse na beleza da dor da fantasia, que a emocionava, mas não corroía suas entranhas. Ainda é tempo, ainda é tempo. Ela as vezes repetia para si mesma. Isso por vezes a fazia flutuar sob mares perfumados de uma nostalgia futura e por outras a fazia mergulhar num furacão em que o tempo agonizantemente não se esgota.
A verdade é que a vida havia se tornado cansativa sob os mesmos olhos e o mesmo céu. Então resolvia desligar a mente, e dançava o silêncio e a espera.
A verdade é que a vida havia se tornado cansativa sob os mesmos olhos e o mesmo céu. Então resolvia desligar a mente, e dançava o silêncio e a espera.
Agenor de Miranda Araújo Neto
As ruas me cobram estilo, temor
A noite me cobra pudor
A sociedade me cobra coerência, jurisprudência
O tempo me cobra postura
A idade me cobra cisura
A família me cobra ternura
O sono me cobra ação
O dia me cobra razão
E você meu amor, tu me cobras calor
E é por isso que eu queria me profissionalizar: em cantando, amar.
Na definição do dicionário,um vespídeo solitário, de ferroada dolorosa; no Nordeste: moleque.
A noite me cobra pudor
A sociedade me cobra coerência, jurisprudência
O tempo me cobra postura
A idade me cobra cisura
A família me cobra ternura
O sono me cobra ação
O dia me cobra razão
E você meu amor, tu me cobras calor
E é por isso que eu queria me profissionalizar: em cantando, amar.
Na definição do dicionário,um vespídeo solitário, de ferroada dolorosa; no Nordeste: moleque.
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