No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

E ela não sabia o que fazer com aquele monte de sentimentos que a acordavam no meio da madrugada apenas para lembrá-la que mais tarde ela teria que novamente se levantar. Acordava como quem não tivesse dormido, pois sentia a falta da presença de sonhos em sua noite, pela expectativa do ''e'' que preenchia e apagava seus dias. Olhava no espelho e não se reconhecia. Observava o redor e se sentia como uma mariposa à espera da morte. Se via apenas como uma matéria sensível que lhe proporcionava deslocamentos, sensações, gozos e dores musculares das quais não mais se importava. Tinha seu coração como fonte de tempestades e paz, no qual lhe escapava a alegria consoladora dos prazeres da carne. Se afogava em poesias para ocultar a angústia consequente dos anseios de sua mente e corpo, sendo aquelas, o único alimento que tapeava o vazio de sua alma. Com o desejo entregue, que o livro nunca se fechasse e ela se perdesse na beleza da dor da fantasia, que a emocionava, mas não corroía suas entranhas. Ainda é tempo, ainda é tempo. Ela as vezes repetia para si mesma. Isso por vezes a fazia flutuar sob mares perfumados de uma nostalgia futura e por outras a fazia mergulhar num furacão em que o tempo agonizantemente não se esgota.
A verdade é que a vida havia se tornado cansativa sob os mesmos olhos e o mesmo céu. Então resolvia desligar a mente, e dançava o silêncio e a espera.

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