No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

POR UNA CABEZA:

Pelo salão eu circulava deslizando
Pés mornos
Um calor que não pingava

Sonho embriagado, a consciência a flutuar
Um amor que soprava sem intervalos,
Que recobria meu corpo, que silenciava meus lábios

Sorrindo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Eu por cá já saciada de amores líquidos que me deixam sedenta do que já não é, me esquecendo de um será úmido nos chãos de pedra em que deslizo. Eu por ali, já antiga, já vivida, comida e desidratada pelo tempo que permanece em gavetas desgastadas. Eu quando ando cansada de mim mudo de mundo, renasço para uma viagem interligada pelo mesmo corpo, cama e carma. Eu que bato de porta em porta em busca de um outro que me carregue para um nunca mais. Mas a eternidade é de essência passageira. É tempo, espaço e percepção. Numa casa fresca, uma cama quente, a madeira estalando, a água fervendo, as janelas para sempre amanhecendo e anoitecendo. As vezes chuva. E por muitas, muitas, um calor que desnuda todos os receios e se entrega sem palavras a sua própria urgência.
E ela não sabia o que fazer com aquele monte de sentimentos que a acordavam no meio da madrugada apenas para lembrá-la que mais tarde ela teria que novamente se levantar. Acordava como quem não tivesse dormido, pois sentia a falta da presença de sonhos em sua noite, pela expectativa do ''e'' que preenchia e apagava seus dias. Olhava no espelho e não se reconhecia. Observava o redor e se sentia como uma mariposa à espera da morte. Se via apenas como uma matéria sensível que lhe proporcionava deslocamentos, sensações, gozos e dores musculares das quais não mais se importava. Tinha seu coração como fonte de tempestades e paz, no qual lhe escapava a alegria consoladora dos prazeres da carne. Se afogava em poesias para ocultar a angústia consequente dos anseios de sua mente e corpo, sendo aquelas, o único alimento que tapeava o vazio de sua alma. Com o desejo entregue, que o livro nunca se fechasse e ela se perdesse na beleza da dor da fantasia, que a emocionava, mas não corroía suas entranhas. Ainda é tempo, ainda é tempo. Ela as vezes repetia para si mesma. Isso por vezes a fazia flutuar sob mares perfumados de uma nostalgia futura e por outras a fazia mergulhar num furacão em que o tempo agonizantemente não se esgota.
A verdade é que a vida havia se tornado cansativa sob os mesmos olhos e o mesmo céu. Então resolvia desligar a mente, e dançava o silêncio e a espera.

Agenor de Miranda Araújo Neto

As ruas me cobram estilo, temor
A noite me cobra pudor
A sociedade me cobra coerência, jurisprudência
O tempo me cobra postura
A idade me cobra cisura
A família me cobra ternura
O sono me cobra ação
O dia me cobra razão
E você meu amor, tu me cobras calor
E é por isso que eu queria me profissionalizar: em cantando, amar.

Na definição do dicionário,um vespídeo solitário, de ferroada dolorosa; no Nordeste: moleque.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Meu seio
Profunda cavidade que denúncia em meu corpo as vibrações por aonde caminha minha alma
Por vezes nele pombas brancas que abrem suas asas em livre vôo
Por vezes pássaros negros que batem as asas desorientando meu peito, meus olhos, minhas palavras e meus passos
Às vezes sinto lá dentro meu todo em comunhão com o universo: pássaros, peixes, flores
Caixa d’prata das sensações
Às vezes sinto a morte em meu peito (e ela é específica no universo)
Desconhecendo o sabor da morte plena, sinto uma borboleta que de cinza se partiu em pedaços
Atropelada numa trilha de trem, ao acordar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Porque o sol há de nascer
Porque no fim ainda há o estar
E no estar há o ser, há o sentir, há o será
Porque a cor é abstrata, dependente do qual que a figura
Porque há trilha e há de existir música e cores e saudade e sombra
E a sombra se desfaz
Quando a luz o liberta
Do silêncio.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Rememorei. Jamais existe o reviver para além das fronteiras da imaginação. Descobri que a saudade não consiste em outras pessoas, outros tempos. A saudade é simplesmente uma coisa que bate, com goles de angústia ou doce melancolia aqui no peito. A saudade é vontade de reencontrar um estado habitado. Um despertar fantástico que as vivências e as pessoas nos proporcionam.
A saudade é de nós mesmos. Das descobertas potencializadas de boas sensações que normalmente só analisamos depois: saudade. Mas não quero me prender a ela. O bom mesmo é se viver para a saudade. Sempre se abrindo ao despertar e se entregando as cores novas sem se preocupar com a sombra. A sombra sempre estará presente. Mas não quero ver o mundo cinza.
Depois das cores a saudade. Cores que parecem mais vivas enquanto estou assentada, só e resguardada por alguma sombra em algum canto da cidade.