No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

sábado, 10 de novembro de 2007

Futuros amigos

Ainda meio tonta vinda de um sono leve e conturbado finalmente acordei.
- Pega um copo de água! – lentamente, com ânsia, mas quase sem forças murmurei.
Ele só se remexeu, puxou as cobertas e me deu as costas quase sem escutar.Indignada, exclamei qualquer xingamento sem razão.
Pouco depois nos levantamos e rindo juntos a um amigo sobre os esquecimentos da noite passada, como de praxe, senti algo estranho.Logo então saímos, íamos almoçar na casa de sua avó.Era um almoço padrão, família, tias e tios sentados em volta à mesa e as conversas comuns, alheias que perduram horas.
- Passa o suco. – de maneira normal, a ele disse.
Foi quando olhei para o lado e surpreendentemente me deparei com um desconhecido.
Já haviam se passado três anos. Cheguei sem convites e logo fui apresentada aos outros pelo amigo que até lá havia me levado, e quase todos que já alterados, fizeram alegria e festa!
O engraçado é como as situações se repetem em nossas vidas e nem sempre sabemos explicar os motivos; Desta vez algo comum aconteceu, o surgimento de uma sensação (ou uma previsão, não sei) inquietante, por muitas vezes impertinente e até cativante.
- Engraçado, parece que lhe conheço de algum lugar! – disse “do fundo” de minha sinceridade.
- É, sempre me dizem parecer alguém, não sei por quê! – rindo ele respondeu.
Sim, já se passaram três anos e de repente me deparei assentada em volta de uma mesa com novos desconhecidos, uma mesma comida, agora provinda de outras mãos, uma tarde cotidiana e aquela mesma cara estranha ao meu lado. O mundo em suas muitas voltas e eu, que nunca poderia ter imaginado tantas histórias juntos, a forte existência de uma cumplicidade desde em porres violentos, manhãs que mais parecem um esboço de vida a conversas filosóficas e conselhos, cuidados pessoais.
Cheguei em casa e procurei esquecer o que havia se passado por entre as muralhas de minha cabeça. Tomei um banho, me troquei e fui de encontro aos compromissos já marcados para aquela noite. E no caminho, como um estalo, em um lugar movimentado mas com meu ser a sós é que percebi, fui descobrir. A resposta clara chegou em meio ao futuro, por uma sensação de um momento no passado e uma estranheza do presente.
Já haviam se passado três anos, e de repente em meio a um turbilhão de devaneios, a uma confusão mestiça de pensamentos, tão esclarecida, comigo mesma exclamei: -Eu sabia que conhecia aquele cara de algum lugar!



(Raquel Mello)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Poesia ao amor:.

O amor é o tormento do acalento
É a paz de ter e o temor de se perder

E é por isso que eu escrevo poesia

Não me basta o dia-a-dia
Para viver eu preciso acreditar
Que somos da mesma melodia
Olhos e boca de uma mesma fantasia

Não, eu não me basto em ter
Para viver eu preciso acreditar em ser
O pedaço que completa
O alimento que sacia

O amor é o tormento
Medo de se achar
Do acalento
E se perder
É a paz de ter e o temor de se esquecer

E é por isso que eu escrevo poesia.



(Raquel Mello).

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A bela puta.:

Foi pela perda de um amor
Que só Deus sabe o porquê a vida a tirou
Que a bela pura e crua
Sofreu a dor, desatinou

Caiu no mundo e em suas garras
Sujou o tronco limpo
Do mundo amargo se mascarou

E a cada homem que lhe tinha
Ela explodia tanta dor
E vendia o veneno de sua tristeza

Então chorava e gritava
Jurava ser satisfação
Do prazer da dor causada

E já sorrindo sua amargura
Se acordava
Bobagem, deixa pra lá

Se confessava poetisa.

(Kel Mello).

sábado, 13 de outubro de 2007

A saga do poeta:.

O poeta tem a alma do sonhar. E no fundo o receio em se apegar. É ser livre, se entregar, errar.
Sentir a dor profunda da tristeza, mas como mais ninguém sentir a alegria de um olhar. É saber enxergar
o poço imundo como belo, se encantar. Fantasiar cada gesto como se quer ver; procurar, mergulhar até o cansar, o renascer. É o pôr do sol até o seu amanhecer.
A fotografia de uma pétala no lixo. A melodia do que nao foi resolvido. A pureza e o esgoto de um rio. A madeira e o desgosto do fogo. A dúvida do ser, estar; a capacidade de reinventar. A infinitude.
É batutar e não se importar. É agir de coração. É sentir a emoção da tentação. Encarar. Não se poupar, aceitar e não paragmatizar. É o silêncio, a tempestade. O desatino. Respirar. É a erva, o céu, a flor da terra e a correnteza que bate. É penetrar em cada estação, de curta ou longa duração.
E girar dentro de sua moradia. É não saber viver em ponto, eu conto: é poder voar.


(Kel Mello).

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Mariana

Fugiu com o circo
Virou piada no cinema
Gracista como ela só
Autenticou em cartório seu coração
Agora voa sem atar nós

Se conformou com a solidão
Em suas bolhas matutinas de sabão

Amor do mundo
Descreve suas dores por segundos
Mas se recorda a sorrir

Sente os prazeres
Sem dó ou castidade
O pecado lhe explode
Pois no bom não há maldade

Amor do mundo
Descreve suas dores por segundo
Que se recorda a sorrir

Morre de gargalhadas
Baforadas de alecrim.

(Raquel Mello).

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Perfeita Sintonia:

Com você é sem ponto
O segundo é infinito
Sem você eu me escondo
Máscara sem abrigo

Pois em você saciei o vazio,
Me libertei sem gritos
Sem festim ou festança
Viajei ao indescritível

Ao completo,a alegria
A perfeita sintonia

Somos do mesmo tom
Flor de um mesmo botão
Da mesma treva ou da mesma paz

Saber, ser livre; acreditar,
É a infinita paz
Que de tão infinda
Não,não chega a ponto
Cada momento é feito em reticências

Ao completo, a alegria
A perfeita sintonia.

(Raquel Mello).

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

João e Maria

Você me pergunta o porquê de tanto choro
Deve ser por gostar, sem poder sentir o gosto
Esse gosto amargo, de dor e poesia
Esse gosto fechado, que eu canto à Maria

Ó Maria dos meus sonhos,
Vê se beija e me abraça
Me recolha ao teu canto
Mas depois viaja...
Pra bem longe, pra que eu sinta
Algum gosto de saudade
Pra você correr e vim

Sem cobrança, sem poder, só por querer
E se entregue
E se dê
Ao amor
E as necessidades

Então chega me contando novidades tão pacatas
De momentos tão marcantes
De alegria e melodia
Mas me sente
Tão constante
Em teus instantes,
Não esquece do seu João, ó Maria

Ó Maria dos meus sonhos
Vê se beija e me abraça
Me recolha ao teu canto
Mas depois viaja...
Pra bem longe, pra que eu sinta
Outro gosto de saudade

Pra você correr e vim
Sem dever, sem poder, só por querer
E se entregue
E se dê
Só por prazer
Sem necessidades

Ó Maria, ó Maria
Só por paixão
Em seus olhos
Uma boca cheia de vontades.

(Raquel Mello).