No mar... entre... mais perto do céu...

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BH, Minas Gerais, Brazil
A ‘‘butterfly moon’’, os dois tchicos que um dia eu conheci e que mesmo sem nenhuma palavra trocada mudaram minha vida, sabendo que provavelmente não voltarei a vê-los. O céu aberto, as ‘‘asas fauves e blesseds e os sonhos inefáveis’’. A música, a arte, o tesão, a esperança e tudo aquilo do qual não abro mão. Pessoas são passageiras, momentos são passageiros; sua memória não. Então talvez eu também seja um poço de lembranças, momentos, sonhos, vontades e filosofias.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

À minha vista

Não obedeço meus instintos
Escrevo a poesia
Finto a dor
Utópico amor
Só pra enganar, enganar...

Forjo a cor,
Então me fecho em pupilas coloridas
Nos sinto a sós sem a conquista
Me emudeço, me descaro a qualquer pista

Que não despida
Algum amor
Que restou
À minha vista

Me imagino só despida
Ao teu amor
Que só restou

À minha vista...


(Raquel Mello).

Em frente

Não vou deixar de ir
Por saber que irei voltar
Nem evitar um tal amor
Por temer tua partida
Não vou deixar pra traz, a saudade que me abriga
Pra esquecer tantas lembranças e guardar as despedidas

Vou em frente com meu passado e futuro
E meus olhos tão exatos defrontando com surpresas
Mesmo que em teus lábios,
Só palavras esperando a recompensa

Novidades excitantes é o que satisfaz
Mas seguro não vem vindo sobre uma bandeja
Pois se beleza não põe mesa
E o melhor da sobremesa
É o gosto doce,
Que cobre o amargo, de uma vida inteira.




(Raquel Mello).

Dona flor

Tu és minha paixão
E ele o meu porto
Tu completa meus desejos
E ele me assegura em temores

Mas por que me pedes para dividir?
Se só sou feliz assim...
Em querer, em mal querer
Tendo a ele e a você

Você acelera meu coração
E ele me alimenta com sua sensatez
Ele traz a paz que conforta de viver
E você a sensação que me tira a razão

Mas por que me pedes para dividir?
Se só sou feliz assim
Em querer, em mal querer
Tendo a ele e a você

Mas por que me pedes para dividir?
Se só sou feliz assim...
Não importa o maldizer
Só pertenco a ele,
E a você.



(Raquel Mello).

Vertigem

Vertigem
Cansada de frases e teorias
Na maleta lembranças passadas
Saudades cansadas
De peças usadas

Mas tudo é tara
Pelo que não presta
Se ressalta a atenção
Pelo incerto, pelo errado
É tanta dúvida pela indecisão

É a paixão pelo cego de uma rua
Pelos gritos mudos
Que ousam me guiar
Em seus passos surdos
Que me buscam ao chegar

Tudo é mentira
Mania, maldição
A paixão é falta de memória
Sem razão tudo é gloria
Sem infâmia não se alcança perfeição

Almejada por tesão
A vontade de querer
Por momentos, por prazer
E depois, fingir se arrepender...
Hoje em dia é tanta ladainha

Permissão pra se viver.



(Raquel Mello).

Bamba

Chega mais
E vêm curtir o samba
Porquê mulata que é bamba,
É bamba!

Chega mais
Experimenta o meu jeito
Jeito de quem quer
Continuar...

Continuar esse refrão que não se acaba
Mas acaba comigo
Me deixando bambo, torto
Judiando meu instinto
Meu instinto mascado, sacado
É o que me dá abrigo

Chega mais
E vêm curtir o samba
Do branquinho da neguinha
Porquê o que a gente gosta
É... , é bamba!



(Raquel Mello).

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Fuga à francesa

Por essa noite vou me libertar
E a cada bar me procurar
Vou contar como fui vítima de meus crimes
Inocente crueldade que mágoa

Lamentar pela perda de tantos sonhos
E banalizar minha falta de coragem
Minimizar cada sentimento alheio
E satisfazer sem culpa meus desejos

Então vou rir de minhas desgraças
E sorrir para o pecado
Em uma valsa dançar minhas frustrações
Beber como o mais forte dos fracos

Talvez em diversos pensamentos
Cair num mar de ressentimentos
De verdades sufocadas
Por trás de belas noites
Banhadas em sorrisos passageiros
Em palavras, em brinquedos

Logo então já poderei dormir
Tão alta que não sentirei
Não sonharei
O peso dos meus dias
Afogados e acesos.

(Raquel Mello).

Sertão de flores

A chuva nunca esteve tão triste
Neste sertão de respostas
Com flores belas e mortas
Enquanto meus olhos se tornaram cinzas
Sem ar de graça ou emoção
Á procura do consolo nas mãos
Desencontradas do caminho
Que nos atravessa e rodeia
Nos leva e deixa.

(Raquel Mello).